PÁGINAS

terça-feira, novembro 20, 2012

Não é verdade




Finja que sabe mãe
Se não quiser sofrer,
Que voltarei um dia
Pra junto de você.

Finja que sabe mãe
E me ajude a viver,
Que as coisas que eu disse um dia,
Foi tudo pra valer.

Finja que sabe mãe
Que eu não me importaria,
Que tudo que me disse
Não passou de mentira.

Finja que sabe mãe...
Finja que sabe mãe...
Finja que sabe.

Finja que sabe mãe
Que o senhor do Bonfim,
Abençoou a minha vida
E agora cuida de mim.

Finja que sabe mãe
Que isso bastaria
E tudo que eu pedisse
O Senhor me daria.

Finja que sabe mãe
Que a vida é só alegria
E que eu não precise aqui
Matar um leão por dia

Finja que sabe mãe
Que tenho muitos amigos,
Que velarão por mim
E não serei traído.

Finja que sabe mãe
Que um dia te direi,
Que fui feliz aqui
E tudo lhe darei.

Finja que sabe mãe
Que eu saberia viver,
Neste mundo hostil
Tão longe de você.

Você já sabe mãe
Que na arte de viver
Só eu cuido de mim
E você de você...


Nilo dos Anjos

quinta-feira, novembro 08, 2012

O RESTO É COVARDIA



O desespero pela sanidade 
A prece em busca do pecado 
A procura pela vida 
O encontro com a morte 
A salvação em falsa prece 
O medo de querer ter em vida se esquece 
E me perco em sua busca 
E aquela voz suave me sussurra 
E me pergunta novamente 
Ela lhe poupa o sofrimento 
E se aproveita na hora certa 
Na hora exata ela te decepa. 
E vem numa noite fria 
A dor pode acabar no mesmo dia... 
O convite é feito 
Mas não aceito este vinho doce 
De colheita tardia 
Minha vaidade não permite 
E vou viver a minha dor 
E o resto é covardia 

terça-feira, novembro 06, 2012

Quando se ama



Não são os olhos,. 
é o olhar.
Não é a boca, 
É o seu gosto.
Não é o que eu escuto, 
É o que você fala... 
Não é o nariz, 
É o cheiro do seu corpo.
Não é o corpo, 
é a sua alma... 
Não é o que eu sinto 
é o que você ama... 


Nilo dos Anjos
para Marielza Queiroz

quarta-feira, outubro 31, 2012

Quarta-feira





Entro no shopping e ouço da voz metálica fria, 

bom dia!... 

Lá dentro uma luz irradia... tão artificial quanto o sorriso 

do caixa eletrônico que dinheiro cuspia. 

Aos olhos das lentes monocromáticas ciclópes. 

Enrijecido e preso eu fugia, 

sempre com a sensação de que estava atrasado...ansioso... perambulava. 

E nas salas geladas de ar condicionado, assistia 

imagens vazias projetadas...via gente que fingia...

via dor que não doía, sorriso que não sorria...cinema. 

Tão falso quanto seu poema enviado por e-mail, 

tão falso quanto seu toque nas teclas do computador ao escrevê-lo. 

Veio-me a mente o seu sorriso... cínico. 


Nilo dos Anjos

segunda-feira, outubro 29, 2012

Isadora


Isa poetisa. 
Por onde pisa aflora. 
Por onde ouvem, deflora. 
E bota pra fora por onde Fala 
O que devora. 
Por onde cheira e vê, 
se não é bom, ignora. 
Mas o que é belo...Isadora.
Nilo dos Anjos